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sábado, 9 de novembro de 2013

O uso de textos literários: uma proposta para o ensino de língua estrangeira

O USO DE TEXTOS LITERÁRIOS: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Eliana Aparecida Prado Verneque Soares

Literatura era inicialmente utilizada como principal recurso para as aulas de ensino de línguas na era do método Gramática/Tradução e servia como matéria-prima da compreensão, identificação de estruturas gramaticais e tradução, sem haver um diálogo mais aprofundado entre leitor e obra e sem dar a devida importância ao conteúdo.
Este uso mostrou-se limitado no processo de interação leitor/texto, restringindo em muito a apropriação da língua de acordo com as afirmações de Paro (1998). Com o advento do estruturalismo e o método audiolingual, a literatura foi minimizada e descartada e de acordo com Collie e Slater (1987, p.2), mais atenção era dada ao diálogo e conversação, os quais eram métodos mais práticos e visíveis em situações reais. Diante destas mudanças, faltavam pesquisas confirmando que o uso de literatura em ensino de línguas poderia ser um input significante e positivo conforme argumenta Maley (1989), uma das figuras mais influentes neste campo. Observando todos esses usos desfavoráveis, em meados dos anos de 1980, ressurge a pesquisa do uso da literatura no aprendizado de línguas, depois de um longo período sendo negligenciada e que continuam até os dias atuais.
Questionava-se então que se a língua constitui-se em recurso privilegiado de comunicação, também é estratégia de apropriação de um conhecimento mais complexo que envolve valores culturais, visões de mundo e sensibilidades individuais e coletivas. Como resultado passou a se revelar como meio de entendimento do Homem e da Sociedade, podendo ser pensada como dispositivo de análise crítica da ampliação da capacidade de análise dos mecanismos da existência, tanto no passado quanto no presente.
Perante deste entendimento, o uso do texto literário - termo que usaremos para nos referirmos a contos, poemas, romances ou peças - como recurso no ensino de línguas ganhou uma nova função, não apenas como pretexto para a aquisição de estruturas gramaticais, mas também como forma de elemento constitutivo de um saber mais amplo.
O trabalho com textos literários além de fornecer material adicional de práticas gramaticais, auxilia na aquisição de vocabulário conforme aponta Liaw (2001) e o contato com esses tipos textuais fornece ainda ao aprendiz não apenas palavras e sentenças, mas significados que só podem ser apreendidos através de um campo semântico mais amplo, sendo que é necessária ainda uma interação positiva, na qual as ligações culturais de uma época demonstrem importância vital na compreensão das palavras e das estruturas do discurso.
Considerando que o ensino de uma língua estrangeira costuma limitar-se a memorização e assimilação de formas prontas de modo que o aprendiz possa simplesmente repeti-las para ser compreendido em uma situação de comunicação real, e que esse modelo de ensino tem se mostrado ineficaz na aquisição de outra língua, alguns questionamentos pertinentes ao uso de textos literários no desenvolvimento dessa língua fazem-se necessário: Qual é o papel do texto literário na formação do leitor? Que textos devem ser usados? Quais alternativas são propostas para que o uso destes textos possa auxiliar o aprendiz na aquisição de vocabulário?
Sabemos que a língua é um processo de manifestação cultural e que falantes nativos usam em sua prática diária de comunicação, elementos linguísticos particulares à sua cultura e expressões como figuras de linguagem, regionalismos, gírias, coloquialismos e entre tantas outras coisas que não são encontradas em manuais de gramática, mas que podem estar dentro de um texto literário. Em favor do uso do texto literário como um recurso importante para estimular as atividades com a língua, Deff e Malley (2003) consideraram que literatura é material autêntico, uma vez que não é produzida artificialmente para fins pedagógicos.
O ensino de uma língua estrangeira deve proporcionar ao educando inclusão social, de modo que o aluno seja capaz de interagir em várias comunidades e conhecimento segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais e que ainda de acordo com Candido (2003) a literatura deve ser reconhecida não apenas como fonte de prazer e lazer, mas sim, como papel socializador e transformador, uma função humanizadora que atua no processo de formação do indivíduo e que amplia perspectivas de relação do homem com o homem e do homem com o mundo. Seria este então o papel do uso dos textos literários no ensino de língua estrangeira.
O objetivo deste trabalho é refletir sobre o uso de textos literários no ensino de língua estrangeira e oferecer algumas propostas de atividades que possam auxiliar o professor no desenvolvimento de suas aulas de leitura bem como ajudar na ampliação do vocabulário do aprendiz.
Ao justificar-se a necessidade de promover mudanças e melhora no nível de ensino de línguas estrangeiras, a literatura pode proporcionar ao professor novas dimensões e caminhos para que se incluam questões culturais e não apenas estruturais e gramaticais.
A metodologia utilizada neste estudo foi um levantamento bibliográfico, pois oferece meios que auxiliam na definição do tema e que sejam analisados sob novo enfoque produzindo novas conclusões.
Qual é o papel de textos literários na formação do leitor?
Ampliar o conhecimento linguístico dos alunos é parte fundamental da aquisição de uma língua e conforme afirma Povey (1972), o contato com textos literários corrobora também para essa ampliação além de contribuir com a extensão de uso da língua. Outra vantagem, de acordo com o autor, é de que o uso destes textos em sala de aula ajuda na promoção da linguagem e na comunicação, já que os estudantes poderão discutir na língua alvo, questionamentos em relação às leituras realizadas.
Motivações e afetividades também podem ser contribuições valiosas para o aprendizado conforme declara Mckay (1982), visto que, contextos sociais são levados em consideração em textos literários. A tolerância em diferentes culturas e a promoção da criatividade será encorajada pelos estudantes na visão deste autor.
Universalmente todas as línguas têm sua literatura e os temas convergem no que geralmente atrai os leitores: amor, morte, separação, natureza, traição, etc., que são comuns a todas as culturas e por todo o mundo a literatura segue convenções e gêneros conforme aponta Maley (2001).
Existem inúmeras razões pelas quais o uso de textos literários pode promover o ensino de uma língua estrangeira. Três dados que podem colaborar para que essa promoção aconteça são mencionados por Arthur (1968). O primeiro é um grande repertório vocabular que é usado na literatura comparado com a fala. O segundo é um modelo sintático único que só é encontrado especialmente na literatura escrita. Como exemplo o autor menciona a voz passiva e as orações subordinadas que aparecem com uma certa frequência nos textos.
O terceiro benefício é que estes textos levam os alunos a entenderem outras sociedades e culturas e percebem que personagens e eventos ocorrem de acordo com normas específicas destes grupos.
Que textos devem ser usados?
Estudos na área apontam certa dificuldade entre professores e alunos em se trabalhar com textos literários atribuídos à falta de competência linguística para ler literatura fora da língua materna. As estratégias de leitura também não são conhecidas pelos docentes de modo que eles não podem ensiná-las aos alunos. Neste sentido, a escolha dos textos literários é fator crucial, pois o aluno poderá desenvolver o gosto pela leitura como também poderá não ser encorajado para tal se não gostar do texto ou se a linguagem nele descrita for muito além da capacidade linguística do aprendiz. Algumas sugestões dadas por Arthur (1968) podem ajudar o professor na escolha dos textos: não selecionar textos que envolvam um vocabulário e itens de estruturas gramaticais muito difíceis, pois isto desencorajará os alunos que não conseguirão fazer sentido do texto porque o nível de proficiência deles não será ainda suficiente para uma análise de uma estrutura vocabular e gramatical que eles ainda não conhecem. Assunções de culturas não familiares a eles também devem ser evitadas de modo que ainda podem estar no estágio inicial de aprendizado da linguagem. Existem algumas histórias familiares em todos os países e culturas. O professor poderá então selecionar uma dessas histórias e traduzi-las para a língua nativa do aluno, porém valores literários da história devem ser mantidos durante o processo da tradução. Recursos não verbais apresentados no texto também são fatores importantes que contribuem para leitura como figuras, efeitos de sons, tonalidade da voz do professor no momento da leitura. Outro aspecto a ser considerado é a relevância do tema para a vida do aluno, isto é, ter em mente os seus interesses, hobbies, maturidade intelectual. O ambiente também deve ser considerado de acordo com as sugestões de Arthur (1968), Um ambiente silencioso, calmo e relaxante contribui melhor para que a leitura aconteça.
O professor deverá criar então, situações em que os alunos percebam as mudanças linguísticas que ocorrem, já que línguas são mutáveis ao longo dos tempos, principalmente quando a obra pertence a períodos bem antigos e distantes dos leitores, quando se tem nas mãos, autores consagrados como Chaucer e Shakespeare.
As técnicas de estratégias de leitura também devem ser ensinadas criando mecanismos para que o aluno aprenda o funcionamento da linguagem literária e poética para inter-relação e apropriação do código linguístico. Quando surgidas dificuldades de interferência no processo de leitura, o docente de línguas deve promover atividades que envolvam o desenvolvimento de estratégias de inferência lexical e contextual.
Dizer então que o léxico não se configura em aspecto relevante no ensino-aprendizagem de língua é uma concepção um tanto simplista, já que, não se é favorável a uma prática isolada e centrada na questão lexical, mas sim que o vocabulário é peça fundamental na interação leitor/texto e cabe ao professor desenvolver atividades criativas e contextualizadas em relação à apropriação e entendimento, do que os alunos geralmente definem como “palavras desconhecidas” e que causam desânimo e desinteresse no aprendiz no processo de leitura de textos literários estrangeiros.
O professor de língua deve estimular o interesse dos alunos na leitura de obras literárias, verificando se eles já tiveram algum tipo de contato com a obra impressa e em caso negativo, comentar alguns aspectos e características do texto selecionado. É fundamental que o professor mostre aos alunos o porquê da escolha do texto, a necessidade da leitura da obra literária na formação do profissional principalmente de línguas.
Várias técnicas podem ser trabalhadas como o funcionamento da linguagem poética como metáfora, constituindo um recurso prático-discursivo muito comum entre os escritores. Como podemos perceber, inúmeras são as utilidades do uso de textos literários no processo do ensino de línguas: aquisição de vocabulário, inferências-linguisticas, períodos históricos culturais de uma sociedade, interação do texto leitor/escritor, visão de pensamentos e sentimentos.
No ensino da linguagem, o texto deve ser usado como exemplo de certos tipos de modelos textuais e estruturas que podem ajudar estudantes a se tornarem mais independentes quanto à produção dos mesmos, ter um melhor crescimento pessoal, desenvolvimento emocional e uma gama de conhecimentos e informações.
Proposta de Atividades
Textos Poema:
Com o poema I Wondered Lonely as a Cloud de Willian Wordsworth, a sugestão apresentada é que o professor retire a última palavra de cada verso e peça aos alunos que o completem fazendo sentido. Dê alguns minutos para que a atividade seja feita em grupo. Depois, entregue o original para fazerem a comparação do que escreveram ou se chegaram pelo menos próximos das palavras reais.
Para o poema The Solitary Reaper, também de Willian Wordsworth, o professor deve entregar o poema para que os alunos trabalhem em grupos, sem a separação dos versos, ou seja, apresente o poema como se fosse um texto em prosa e solicite aos alunos que o refaçam dividindo-o em versos. Dê alguns minutos para a atividade e entregue a cópia do original para a comparação.
Texto Narrativa
Livro: Bridge to Terabithia escrito por Katherine Paterson. O livro é composto por treze capítulos. O professor poderá solicitar aos alunos como tarefa, que a cada aula leiam um capítulo do livro e propor diversas atividades como: elaboração de algumas perguntas relacionadas ao capítulo lido e na próxima aula fazer uma correção coletiva com os alunos. Solicitar que preparem algumas sentenças com vocabulários desconhecidos encontrados no capítulo substituindo-os por outro com o mesmo significado e fazer com que os alunos adivinhem o sentido no texto. Representar um capítulo lido em forma de role play. Escrever um sumary de um capítulo. Retirar da leitura realizada, expressões de sentimentos como dor, felicidade, mágoa, etc. Enfim, inúmeras são as propostas para uso de textos literários em sala de aula. Caberá ao professor o uso de sua criatividade na elaboração de seu planejamento quando do uso de textos literários.
Considerações finais
A educação literária se faz necessária, pois segundo Howard (1974, apud Heath, 1982), ela nos permite compreender o mundo ao nosso redor além de nos possibilitar compreender também o que nos tornamos e como nos tornamos.
O uso de textos literários no ensino e aprendizado de uma língua estrangeira é um rico material que poderá fornecer situações autênticas no ensino da língua alvo bem como promover o prazer neste aprendizado através de histórias interessantes. Os alunos poderão ainda estender o conhecimento e experiências de mundo pelos textos literários que mostram a eles novas formas de ver o mundo e construir significados.
É necessário também que o professor de línguas inicie o quanto antes possível, a interação dos alunos com textos literários para que os mesmos aos poucos se familiarizem com um novo material de aprendizado.
O docente de línguas deve então promover a prática de leitura destes textos e comprometer-se com o desenvolvimento em sala de atividades que promovam a inferência lexical e especificar estratégias de leitura que favoreçam a contextualização dos textos, tanto no que se refere ao momento de produção textual quanto empenhar-se na discussão comparativa entre as questões sociais tratadas no texto estudado e a problemática contemporânea da sociedade.
O contato com textos literários irá prover o aprendiz de um input no aprendizado de línguas bem como um amplo conhecimento de mundo através da leitura.
Referências Bibliográficas
BRADFORD, A. Reading literature and learning a second. Language and Learning. p. 199-210.
COLLIE, J. & SLATER, S. Literature in the Language Classroom. Cambridge: OUP, 1987, pp. 3-11.
CANDIDO, A. Literatura e Sociedade. 7 ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1985.
DUFF, A; MALEY, A. Literature. Oxford: Oxford University Press, 2003. Foreign Language Annals, p. 35-44.
HEATH, S.B. What no Bedtime Story Means: Narrative Skills at Home and School. Language in Society, 11, 1982, p.49-76.
IBRHIM A. Y. (UEM) Disponível em:
<http://dialogosliterarios.files.wordpress.com/2013/03/45.pdf>. Acesso em 23 set. 2013.
LIAW, M. L. Exploring Literacy Responses in a EFL Classroom.
MALEY, A. A comeback for literature? Practical English Teacher, 10,59.
McKAY, S. Literature in the ESL Classroom. TESOL Quarterly. 1982, p. 529-536.
MOHAMMAD, K. AMIR H. R. Literature and Language Teaching. Journal of Academic and Applied Studies. Vol 2(6), June 2012, p. 32-38. Disponível em <www.academians.org.> Acesso em 23 jul. 2013.
PATERSON, K. Bridge to Terabithia. Impress by HarperCollins Children’s book. USA, 1987.
POVEY, J. F. Literature in TESOL Programs: The Language and the culture. TESOL Quarterly. P. 40-46.
WORDSWORTH, W. Poesias Selecionadas. Edição Bilíngue. Ed. Mandacaru, SP, 1988.

domingo, 17 de fevereiro de 2013



My Poem

Dreamer Lady

I am a lady with some dream
                   I wonder how to make my dream true                                 
I hear the sound of the peace
I see all the people living together
I want to become a master
I am a lady with some dream
I pretend to go back my childhood
I feel like an angel
I touch some beautiful flowers
I worry about the selfishness of the people
I cry when children suffer and are badly treated
I am a lady with a dream
I understand that God take care of us
I say all people “have a dream and hope”
I dream to have some grandchildren
I try to make a better world for them
I hope the people understand the world
I am a lady with some dream!
Eliana Prado

domingo, 3 de fevereiro de 2013

My English Language Classes

Fisrt of all I try to envolve all my students in my classes putting them to work in pairs and asking them to participate with questions and activities that I give them. I have much expectations about the learning of my students because they are in different levels so I need to try envolve all of them in the same level beside they don't want to learn English. They ask me all the time: "Why do I have to learn English if I will never to travel to abroad"? and I have another problem. We have many students from another school they that have just attended Spanish Language. So, they don't know nothing when they get to our High School. Many of them study hard to learn English but some of them do not. I think my classroom is a safe place. To reduce my anxiety I do many fun activities that can enjoy my students too and the way that they can learn English joking.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pre-reading Activity Lesson Plan


Students: Elementary School
Name: Eliana Aparecida Prado Verneque Soares
Book: Tissue, Please! (By: Lisa Kopelke)

Content Objective: The students will be able to understand the idea of a good relationship among friends and the habit of good manners.

Language Objective: students will learn to re-tell the story using sequence words: first, next, then, after that, finally.

Learning Strategy Objective: Teacher will ask the students about their childhood recreation games and ask students to create a word web to list some of them that they use to play together.

Activate Background Knowledge: the teacher will show the students some pictures related to the different kinds of childhood games and ask them if they have already played any of them.

Introduce New Vocabulary: hopscotch, jump rope, ride a bike, runny, snuffled, wipe, disgusted, tissue, pocket, crowd, pirouetted. The teacher should show the students flashcards related to the vocabulary, creating a good way for students to memorize by listening and repeating in a loud/slow/ voice, etc. Teacher can draw the games on the board too.

Picture Walk: The teacher should go through the pages of the book observing what is in the pictures, and asking and answering to students questions as the story unfolds… "Oh look, what’s this"? (showing the front page); what color is the frog? (say the color); Does he seems happy? (Yes, he does); "Why do you think he is happy"?, look at his eyes; what are the friends doing? (they are eating peanuts together because they do all things together, they are good friends); and the teacher continues thinking aloud. After showing all the pages of the book (asking and answering), the teacher reads the book for the students. TISSUE, PLEASE!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

My profile

I'm a Gratuated in Language and Literature and I have been teaching English for 13 years in elementary and High School. I teach in a Public High School in Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil. I love to teach English because as I teach more I learn about the language. Hobbies: I like to read, watch movies, play with my dogs and kids or stay with my family.